Quero documentar uma situação cuja miséria ainda não contaminara esta solenidade de diário: Zaratrusta sumiu! Sim... sua figura esteve em insensata falta na ilha; sentia essa ausência em todo lugar, foi e é um sentimento vil. Esse pavor vinha vindo, vinha vindo, súbito, e com cada reconhecimento de sua existência minha consciência inchava.
Zaratrusta saiu, logo depois da chegada de Cervantez. Não demoraria muito, foi apenas visitar outra aldeia; fica a apenas alguns dias de distância de Esel-Aemp. O ciêntista, o quase-excêntrico, não estipulou data de retorno, mas temi alguma desventura: já se passavam as quatro infindas semanas de um mês.
Precisava fazer algo! Me perguntei, "será?", e respondi, "sim, absolutamente". Absolutamente, precisava agir; absolutamente, havia algo de esquisito. E, não-absolutamente, havia algo de capricho momentário. Cervantez aparece e Zaratrusta some. Certamente, alguma manha do universo em criar essa coincidência...
Ia buscá-lo! Ia. Se havia algo de esquisito, e sempre há, desvendaria seu enigma e descobriria a sua incógnita. Lembro dessa inquietude. Pensava dia e noite na viagem a ser feita; eu iria a sós ou com algum companheiro? Faria a rota de sempre ou devia variá-la para melhor procurar o sujeito desaparecido? Eram tantas dúvidas, girando em torno de meus pensamentos como um grupo de crianças descuidadas que brincam e atrapalham o sereno de um bosque, afugentando os passarinhos.
Kata Porttis
"Tais Lembranças"
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