segunda-feira, 24 de junho de 2013

Alerta

           Disse que desenhava. Que a esfera era apenas um globo metálico que serviria como base para um desenho de estilo escheriano. Ainda não sabia que desenhava, além de tudo. Pensava: será que é verdade? Devo, posso, duvidar de sua palavra? Não há como saber.  Deixei de lado o caso, mas mantive meu sigilo.
           Aquele encontro me marcou; saboreei pela primeira vez a casa, os livros, o chá... e que chá! Nunca esquecerei... Ao entrar no cômodo, vi de longe o líquido amarelado, senti seu aroma nada agradável. Seria ele quem o preparou? Não sei. Mesmo que não estivesse cativada pelo ambiente e pelo propósito de minha estada, não teria tomado o chá tranquilamente. Quando estávamos para nos despedir, ergui a xícara a minha boca descontente e bebi. Saí depressa como entrei; Cervantez, em sua gentileza, não havia de ver a expressão que tomara meu rosto involuntário.
          Encontrei, porém, satisfação no ambiente caseiro do espanhol; acredito ainda que o espaço de vivência de uma pessoa revela todos os seus segredos. Tomei cuidado para lembrar de tudo; os detalhes dos livros, dos assentos, até dos refrescos. E, claro, do próprio Cervantez. Certamente, minhas observações se mantiveram inconspícuas.
          Agora bastava desvendar os mistérios, seguramente encontrados nas imagens mentais que retenho. Os mistérios... A análise do sujeito tomariam prioridade nos dias nebulosos a seguir. Que venha a solução...

Kata Porttis
"Tais Lembranças"
         

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