sexta-feira, 19 de abril de 2013

Um bom absurdo

     “Voltava do Vietnã. Quantas coisas interessantes descobri eu naquela terra. Mas agora descobriria mais coisas na Nova Zelândia. Seria meu último destino dentro de minhas pesquisas antropológicas pelo Pacífico. Estava atrás de um povo habitante do norte neozelandês; uns “quase-canibais” que estudaria durante alguns meses.
    Um amigo de faculdade morava em um vilarejo beira-mar próximo às tribos em que eu estava interessado. Pois bem, com o apoio de meu amigo Antonín, tudo se tornaria mais fácil para o andamento de minha pesquisa. Ah, não devo esquecer do apoio sempre gentil dado por Dona Natalina a mim. Enfim, o que importa é que eu cheguei em Ezel-Aemp, realizei minha pesquisa com os nativos e não retornei à Espanha como mandava o planejamento. O culpado foi um dinamarquês, velho morador da ilha que carregava nome de profeta. Era Zaratrusta. Acho que há uma diferença entre o segundo “r” do nome dele em relação ao fundador do zoroastrismo, mas quem visse o Zaratrusta da ilha logo podia perceber que ele tinha um ar de profeta, e de uma certa forma, ele empenhava também este papel além de seu ofício científico. Era ele um astrônomo, um botânico e devia ter mais algumas especialidades, não me lembro quais. Depois dele, conheci Katalín, também estrangeira; uma húngara de cabelos negros e espírito vibrante. E, em um piscar de olhos, eu tinha já uma casinha própria no vilarejo de Ezel-Aemp. Foi um absurdo... Um bom absurdo.  E pensar que me mudei para uma vila no meio do nada do capim neozelandês por algum motivo perdido nas palavras do velho Zaratrusta ou por algum encanto perdido nos devaneios de Kata.”
  
Cervantez Vortibus. Memórias da Ilha.