Um amigo de
faculdade morava em um vilarejo beira-mar próximo às tribos em que eu estava
interessado. Pois bem, com o apoio de meu amigo Antonín, tudo se tornaria mais
fácil para o andamento de minha pesquisa. Ah, não devo esquecer do apoio sempre
gentil dado por Dona Natalina a mim. Enfim, o que importa é que eu cheguei em
Ezel-Aemp, realizei minha pesquisa com os nativos e não retornei à Espanha como
mandava o planejamento. O culpado foi um dinamarquês, velho morador da ilha que
carregava nome de profeta. Era Zaratrusta. Acho que há uma diferença entre o
segundo “r” do nome dele em relação ao fundador do zoroastrismo, mas quem visse
o Zaratrusta da ilha logo podia perceber que ele tinha um ar de profeta, e de
uma certa forma, ele empenhava também este papel além de seu ofício científico.
Era ele um astrônomo, um botânico e devia ter mais algumas especialidades, não
me lembro quais. Depois dele, conheci Katalín, também estrangeira; uma húngara
de cabelos negros e espírito vibrante. E, em um piscar de olhos, eu tinha já
uma casinha própria no vilarejo de Ezel-Aemp. Foi um absurdo... Um bom
absurdo. E pensar que me mudei para uma
vila no meio do nada do capim neozelandês por algum motivo perdido nas palavras do
velho Zaratrusta ou por algum encanto perdido nos devaneios de Kata.”
Cervantez Vortibus. Memórias da Ilha.